Repensando publicações em tempos de iPad e outras plataformas digitais – McPheters no eTalks Abril

Para acompanhar a evolução do mercado editorial no ambiente digital, foi lançado em janeiro de 2010 o iMonitor, um serviço de monitoramento e avaliação dos aplicativos dos maiores publishers mundiais. Atualmente são mais de 3.000 apps analisados sob mais de 100 critérios estabelecidos pela McPheters & Company, empresa que desenvolveu o sistema.

Em palestra no segundo dia de eTalks Abril (19 a 22/09/2011), Rebecca McPheters, CEO da empresa que leva seu nome, explanou sobre a crescente adoção do uso de tablets e a decorrente demanda por conteúdo nestas recém-lançadas plataformas digitais.

mcpheters no etalks

André Almeida, diretor de publicidade digital da Abril; Rebecca McPheters, CEO da McPheters & Company; e Gustavo Mansur, gerente de TI da Abril.

O novo mercado dos aplicativos para Tablets

Até o ano de 2013 estima-se que as vendas destes dispositivos aumentem em 600%. A Apple, com o iPad, detêm 70% deste mercado – a grande maioria dos apps são desenvolvidos para o seu sistema iOS – no entanto há os e-readers e outros tablets que despontam, como o Nook, que nos EUA obteve um repentino e inesperado aumento no percentual de vendas. Nos próximos seis meses, aumentarão em larga escala a quantidade de aplicativos desenvolvidos também para a plataforma Android, diz a especialista.

Acompanhando a evolução nos gráficos apresentados por Rebecca, em 2016 a maior parte da distribuição de revistas nos EUA será nas plataformas digitais. Estas entre outras previsões fazem com que o mercado editorial repense todo o conteúdo ofertado ao público, e se apressem no desenvolvimento dos aplicativos que serão e distribuirão seus produtos, já que esta pode ser uma luz para empresas que sofrem com a dificuldade de monetizar seu conteúdo na internet.

Ainda estamos muito no início deste cenário, o aumento do uso destes dispositivos e o aparecimento de novos modelos de negócios trazem consigo sentimentos de euforia e desconfiança – se a perspectiva é boa há também a realidade difícil de um mercado que tem definições que ainda estão longe de consolidar: existem problemas com a qualidade e, especialmente, com a receita.

40% do aplicativos avaliados apresentam problemas graves de funcionamento – como travamentos (“crashes”), problemas com os downloads, links quebrados, vídeos que não carregam, áudios que não desligam quando deixamos a página, dificuldades graves de navegação – para citar alguns.

Outro ponto delicado é o não planejamento adequado destes modelos de negócios. O ideal é que a receita não dependa somente de anúncios mas venha também do consumidor direto. Uma alternativa seria estimular as vendas através do “Consumer Revenue”, onde geralmente a primeira publicação adquirida é gratuita e as subsequentes são pagas, ainda que tenham o preço baixo.

Os fatores-chave para o aumento do consumo desta fração do mercado são:

  • a qualidade dos aplicativos;
  • a relação deste com a marca, com a circulação impressa do produto;
  • a disponibilização de assinaturas (há demanda para isso) e
  • a frequência de atualizações / novas edições.

Mas o que faz de um aplicativo para tablets um aplicativo bom e bem-sucedido?

Os mais de 100 critérios de análise usados pela empresa estão distribuidos entre “pilares fundamentais” das boas práticas: Design (projeto e usabilidade), Funcionalidade, Publicidade (se aplicável), Conteúdo “Rich Media” e ainda outros pontos como Preço e Plataforma.

Atualmente os tipos de intervenções mais utilizados são (em ordem decrescente): links, integração com Mídias Sociais, animações, vídeos, áudio e ferramentas para transações/compras e de localização. Mas as maiores tendências para o mercado em breve são:

  • a redefinição conceitual dos produtos;
  • convergência com outras mídias;
  • modelos alternativos de negócios;
  • integração e compartilhamento nos “Social Medias”;
  • crescente exploração das capacidades de reconhecimento de voz e localização e
  • disponibilização do conteúdo ou serviço em mais de um idioma.

Rebecca citou vários bons exemplos, alguns dos cases e dicas nós reproduzimos a seguir:

POST e PROJECT Magazine mudaram radicalmente o conceito de suas aplicações, utilizando por todo seu conteúdo os vários tipos de mídias e interações atualmente disponíveis. O resultado são matérias com convidativos “abres animados” e players de áudio contextualizados no conteúdo.

THE DAILY Jornal e EL MUNDO ES inovaram no design oferecendo, respectivamente, layout com artigos interativos e aleatórios – quando isso não existia – e complexas e extensas galerias de vídeo.

NET-A-PORTER oferece uma revista de moda que faz fusão de loja e conteúdo, onde o leitor pode comprar dentro do próprio app todos os produtos que o interessar.

CBC NEWS e CNN an AL JAZEERA English fazem um bom uso do conteúdo de “Rich Media”, o primeiro através dos feeds de notícias e o segundo através de live-streaming de vídeo.

COSMOPOLITAN BOULEVARD – a revista Cosmopolitan lançou uma iniciativa de Marketing muito interessante: acrescentou um “boulevard de compras” em uma das edições da revista, um shopping interativo com stands (lojas individuais) dos anunciantes onde os leitores podiam entrar para conhecer mais sobre os produtos (imergir na marca), comprá-los e até mesmo compartilhá-los nas Redes Sociais.

Os Melhores Apps para iPad

O iMonitor rankeou as melhores revistas digitais brasileiras e os melhores publicadores digitais no mundo inteiro:

Revistas digitais brasileiras:

1º lugar – Veja (Editora Abril pela Wood Wings)
2º lugar – Galileu (Editora Globo pela Adobe)
3º lugar – Mundo Estranho (Editora Abril pela Wood Wings)

Publicadores digitais:

1º lugar – Wood Wings
2º lugar – Adobe
3º lugar – Texterity Inc.

A adoção dos tablets no Brasil está no começo (alcançaremos a marca de 450.000 vendas de dispositivos até o final de 2011 e 1.000.000 em 2012, segundo pesquisa do IDC), logo a penetração será enorme e obterão as maiores fatias deste novo mercado os que já estiverem nele há mais tempo – e com os melhores produtos.

Os grandes “players” têm maior facilidade de acesso a estas tecnologias, porém a concorrência os segue de perto. No Brasil temos, por exemplo, o iBanca, uma solução para publicação de revistas em tablets desenvolvida 100% em território nacional – é uma plataforma independente que permite publicar sua revista ou livro digital no iPad, ou ainda fazer o seu aplicativo personalizado a um preço acessível.

Este texto também foi publicado na Geek – agência de notícias

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